Ontem eu ouvi a seguinte frase do meu avô: “Não tema a
morte, mas sim a vida não vivida”. Aquela frase, quando fui dormir, ecoou forte
na minha cabeça.
Já parou para pensar em quantas coisas deixamos de fazer por
causa do medo? Como se todos tivessem pavor do sofrimento. “Não vou me
apaixonar para não sofrer. Não vou viajar porque vou sentir medo de ficar só.
Não vou andar de bicicleta porque posso me machucar”. É como se a vida fosse
rodeada de medo e dúvida. E é! Mas por quê viver em função disso?
Deveríamos saber que ao evitar a dor, também podemos estar
evitando felicidade, pois ambas andam grudadas, tal como amor e ódio - não reconheceríamos
um sem o outro -.
Eu não quero imaginar uma vida com tudo sempre no mesmo
lugar, sem ter a chance de me perder na minha própria bagunça, e espero que
você também não. É preciso se jogar, sumir, voltar, se encontrar, desenvolver
novas verdades e vontades, se conhecer.
É preciso experimentar novos ares, sentir novos sabores,
conhecer diversas culturas, dançar diferentes ritmos. Eu sei que vou me
arrepender de muitas coisas, talvez eu possa até passar dias chorando, mas viver é isso, é se entregar à sorte e viver intensamente a experiência.
Enquanto o medo falar mais alto que a vontade de ser feliz,
as coisas boas não vão acontecer, tudo vai permanecer igual. Tentar ser feliz é
não priorizar o medo, é dar um pulo no escuro: as vezes você pode cair em um
sofá macio, outras você pode cair no chão, mas ambas vão lhe mostrar como é boa
a sensação de pular.

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