Eu não nasci para o morno. Eu não nasci para a realidade pálida
e crua que não se oferece à ousadia. Eu nasci para o fogo, para intimidade
quente de um cobertor dividido. Viver e ver o sorriso de quem ousa mostrar os
dentes sem procurar motivo. Nasci para o café forte feito num coador de pano. Doce.
Quente.
Preciso da sofisticação do que é aparentemente simples. Do calor
de um abraço, de sentir a brisa nos poros. Dos respingos do sol adornando a
tarde e aquecendo minha pele. Da carícia
na ponta dos dedos. Da energia contida nas trocas de olhares. Eu não nasci para
os dias parados e sem cores. Eu nasci para pintar. Para amar intensamente. Preciso
sentir que há um outro. Preciso senti-lo existindo, respirando no meu ouvido,
pulsando, trocando ideias e experiências. Preciso desta vizinhança das almas
que conversam até mesmo sem nada dizer.
Eu não queria te contar. Mas fiz as contas. Você precisa saber
que em mim é tudo multiplicado.
Dói demais,
marca demais,
alcooliza demais, bagunça demais
e eu sinto
e eu me entrego
e eu arrisco demais e eu acredito demais.marca demais,
Você precisa saber que eu não sei viver
de menos.
Aqui é tudo intenso!

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